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Novo episódio do Podcast IBDFAM discute mitos ancestrais e parentalidade no Direito das Famílias
Os mitos que atravessam a maternidade, a paternidade e a própria estrutura das relações familiares são o foco do novo episódio do Podcast IBDFAM. Já disponível nas plataformas digitais, o programa recebe a advogada e pesquisadora Fernanda Las Casas, presidente da Comissão Nacional de Pesquisa do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões – IBDFAM, para uma conversa sobre os impactos práticos de construções históricas e culturais no Direito das Famílias.
Ao longo do episódio 37, conduzido por Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do IBDFAM, a advogada Fernanda Las Casas apresenta reflexões baseadas em sua obra “Família: Mitos Ancestrais e Crise da Modernidade”, fruto de sua tese de doutorado.
A conversa aborda como determinados estereótipos de gênero ainda influenciam decisões judiciais, práticas institucionais e percepções sociais sobre o cuidado, a parentalidade e os papéis de homens e mulheres nas famílias contemporâneas.
Ao comentar a relevância da pesquisa acadêmica para a atuação profissional, Rodrigo da Cunha Pereira destaca que a produção teórica tem impacto direto sobre a prática jurídica. “Essas pesquisas, essas teorizações, elas iluminam o nosso dia a dia como profissionais do Direito, sejam advogados, magistrados, Ministério Público ou defensor público”, afirma, ao ressaltar a contribuição do estudo para a compreensão dos conflitos familiares contemporâneos.
Segundo a especialista, o livro resulta de uma investigação de cinco anos, voltada a compreender a origem de ideias naturalizadas no imaginário jurídico e social. “Foram cinco anos de pesquisa que eu fui até a pré-história, porque eu não ficava satisfeita com as respostas, até encontrar em livros de Arqueologia, Antropologia, os mitos que reverberam nos estereótipos de gênero”, explica.
Mitos
A advogada observa que muitos entendimentos ainda reproduzem noções tradicionais sobre maternidade e paternidade, inclusive no sistema de Justiça. Ao comentar a ideia de que crianças pequenas deveriam permanecer prioritariamente sob os cuidados maternos, ela é enfática: “Mas isso é um mito”.
Em outro momento da conversa, Rodrigo da Cunha Pereira chama atenção para o caráter histórico e cultural das estruturas familiares. Ao destacar a necessidade de questionar padrões naturalizados no Direito das Famílias, frisa: “A família não é da ordem da natureza, é da cultura, por isso ela vai mudando”.
Fernanda também aponta que a permanência desses padrões está ligada a uma longa tradição histórica e jurídica. “Nada no Direito hoje foi criado hoje, ele veio lá do Direito Romano. A maioria das soluções vem de lá”, afirma. Para ela, embora a realidade social tenha mudado, ainda persistem concepções segundo as quais “a mulher é a cuidadora de todos e de tudo e o homem é o mantenedor”.
A diretora nacional do IBDFAM ressalta que esse modelo já não corresponde às dinâmicas familiares contemporâneas. “Os homens querem paternar, eles querem cuidar dos seus filhos, querem ir no futebol, querem acompanhar numa consulta médica, eles querem saber como a criança está, passar férias”, diz. Ainda assim, acrescenta, muitas vezes esses movimentos esbarram em resistências sociais e institucionais.
A conversa também trata dos impactos da maternidade na vida profissional das mulheres. Com base em pesquisas mencionadas no episódio, Fernanda chama atenção para os efeitos da desigualdade de gênero no mercado de trabalho. “No nascimento do primeiro filho, logo no primeiro ano, a gente viu que 60% das mulheres são demitidas do seu trabalho. E eu posso falar que eu fiz parte dessa estatística”, relata.
A especialista também critica a forma como, após a separação, muitos pais passam a ser tratados como figuras secundárias na vida dos filhos. “Por que os pais não podem dormir com seus filhos se, quando casados, dormiam, davam banho, levavam para passear? Porque se entende que a hora que separou, ele representa um perigo pro filho. Isso é um mito”, sustenta.
Na avaliação de Fernanda Las Casas, os prejuízos desse modelo atingem homens e mulheres. “Você vê que o prejuízo são dos dois gêneros, a mulher por essa história patriarcal que veio ao longo do tempo e o homem pós-moderno que quer falar sobre o sentimento, quer participar da vida em família”, pontua.
Ao final, a pesquisadora reforça a importância da pesquisa e da formulação de novas teses no enfrentamento de padrões ultrapassados. “Toda vez que vier um caso novo, desafiador, que tem aquelas decisões todas prontinhas, formadas, eu desafio vocês a estudarem, mudarem, fazerem uma tese nova. A gente não foi contratada para repetir um padrão, a gente foi contratada para trazer uma solução”, defende.
Confira o episódio na íntegra:
Sorteio no Instagram
Nesta semana, o IBDFAM promove, no Instagram, o sorteio de um exemplar do livro “Família: Mitos Ancestrais e Crise da Maternidade”, de Fernanda Las Casas.
Acesse o perfil @ibdfam, confira as regras e saiba como participar! O sorteio será realizado no dia 11 de agosto.
Podcast IBDFAM
O Podcast IBDFAM é um espaço voltado à reflexão e ao debate de temas contemporâneos do Direito das Famílias e das Sucessões, reunindo especialistas e convidados para discutir questões relevantes da área e suas interfaces com outros campos do conhecimento.
Este e outros episódios podem ser acessados no canal do IBDFAM no Youtube e no Spotify.
Por Débora Anunciação
Atendimento à imprensa: ascom@ibdfam.org.br
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